A Tourada

  • O que é a Tauromaquia?
    A Tauromaquia é a arte de enfrentar e lidar toiros bravos.
  • O que é uma Tourada?
    A tourada ou corrida de touros é uma forma de tauromaquia. É um espectáculo cultural, uma arte performativa, onde um artista (cavaleiro tauromáquico, um matador de toiros, um novilheiro ou forcado) lida ou pega touros bravos, arriscando a sua vida para criar arte.
  • Que tipo de Touradas existem?
    Existem vários tipos de Touradas ou Corridas de Toiros. As Corridas de Toiros à Portuguesa na qual actuam Cavaleiros e Forcados. A Corrida de Matadores é aquela em que só actuam Matadores de toiros. A Corrida de Toiros Mista é o tipo de corrida em que actuam Cavaleiros, Matadores ou novilheiros e Forcados. As Novilhadas são os espectáculos tauromáquicos onde actuam jovens cavaleiros praticantes e/ou novilheiros, ou seja, toureiros que ainda não tiraram a alternativa de Cavaleiros ou Matadores de Toiros, o escalão máximo nas suas categorias profissionais.
  • O que se passa na praça antes de uma corrida?
    Antes de uma corrida realizam-se sempre estes procedimentos, obrigatórios no Regulamento Tauromáquico:

    Desembarque: Consiste no descarregamento das reses do camião de transporte para os curros da praça.

    Reconhecimento/Inspeção: Consiste no exame feito pelo médico veterinário ao estado fisico dos toiros e à documentação legalmente exigida das reses, e respetiva aprovação ou reprovação das mesmas para o espetáculo.

    Apartação: Antes do sorteio, as reses são divididas (ou apartadas) em lotes, tendo em consideração a modalidade de lide a que se destinam (pé ou cavalo) e o número de cabeças de cartaz (cavaleiros e/ou matadores) que vão atuar.

    Sorteio: Depois de divididas as reses em lotes de dois toiros, é efetuado o sorteio dos lotes pelo número de cabeças de cartaz (cavaleiros e/ou matadores) que vão atuar.

    Embolação: Consiste na colocação de proteções de couro para "cobrir" os cornos das reses destinadas à lide a cavalo. Os toiros lidados a pé não são embolados.

  • Como se chamam os instrumentos de toureio do Cavaleiro?
    Além do cavalo, os instrumentos que os cavaleiros usam durante a lide são as bandarilhas, que podem ser compridas, curtas ou de palmo.

    As bandarilhas compridas são usadas no início da lide, pelo cavaleiro. São colocadas no dorso do toiro, normalmente entre 1 a 3. O objectivo é permitir ao cavaleiro aperceber-se do comportamento do toiro e fixá-lo na lide.

    Depois desta fase inicial, o cavaleiro passa a usar bandarilhas curtas e, normalmente coloca até quatro, uma de cada vez. Este é o momento fundamental da lide e da criação artística do cavaleiro, além de ser também o mais arriscado. As bandarilhas curtas podem também ser colocadas no touro em pares, o que se chama "colocar um par de bandarilhas".

    Para terminar a lide alguns cavaleiros colocam uma ou mais bandarilhas de palmo, encerrando a sua actuação.

  • Como se chamam os instrumentos de toureio do Matador?
    Os instrumentos de toureio do matador ou novilheiro são os seguintes:

    Capote ou capa - feito de tecido forte, com duas cores diferentes de cada lado, normalmente salmão na frente e amarelo na parte de trás. Tem cerca de 1,5m e pesa cerca de 5 kg. É usado pelo matador para receber o toiro quando este sai dos curros.

    Muleta - pano de lã ou flanela vermelha usada pelo matador para lidar o toiro. No topo, por dentro, possui um estaquilhador (um pau de madeira) que o matador segura para utilizar a muleta.

    Ajuda - espada simulada, que o matador usa durante a lide para armar a muleta. Armar a muleta significa colocar a espada por detrás da muleta para aumentar a área de tecido exposto ao toiro.

    Estoque ou Espada - espada utilizada pelo matador com cerca de 75cm com um punho forrado a lã e camurça.

  • Qual a estrutura de uma "Tourada à Portuguesa"?
    A Corrida à Portuguesa é um tipo de corrida em que actuam cavaleiros e forcados, decorrendo da seguinte forma:

    Cortesias - momento inicial da corrida que consiste no desfile dos intervenientes no espectáculo para saudação da direcção da corrida e apresentação ao público. As cortesias são acompanhadas de música tocada pela banda.

    Logo que o Director de Corrida manda dar início ao espectáculo, avançam pela arena, em primeiro lugar os moços de forcado, seguidos pelos toureiros a pé (matadores ou novilheiros, se actuarem, e os bandarilheiros), o pessoal de praça e, por fim os campinos. Todos estes elementos, com excepção dos cavaleiros que são os últimos a entrar na arena, caminham lado a lado, divididos em dois grupos e vão colocar-se em linha, virados para o Director de Corrida, pela seguinte ordem: na primeira fila, os matadores ou novilheiros (se a corrida for mista) e as respectivas quadrilhas, formando à direita e as quadrilhas dos cavaleiros formando à esquerda. Na segunda fila formam os moços de forcado, na terceira o pessoal da praça e na quarta os campinos.

    Lide a cavalo - depois do toque do cornetim, o toiro sai à praça e é normalmente recebido pelo peão de brega do cavaleiro, que dá alguns lances de capote ao toiro, para que o cavaleiro possa analisar a investida do toiro. De seguida o cavaleiro recebe o toiro e prepara a colocação das bandarilhas compridas.

    Segue-se a fase das bandarilhas compridas. Estas são colocadas no cachaço do toiro, normalmente entre uma a três. O objectivo é permitir ao cavaleiro aperceber-se do comportamento do toiro e fixá-lo na lide.

    Depois desta fase inicial, o cavaleiro passa a usar bandarilhas curtas e, normalmente coloca até quatro, uma de cada vez. Este é o momento fundamental da lide e da criação artística do cavaleiro, além de ser também o mais arriscado. As bandarilhas curtas podem também ser colocadas no touro em pares, o que se chama "colocar um par de bandarilhas".

    O cavaleiro tem à sua disposição para o ajudar sempre que necessário, dois peões de brega (nome dos bandarilheiros que auxiliam o cavaleiro). As sortes a cavalo devem ser rematadas ao estribo para terem merecimento e as bandarilhas colocados na cruz, região proeminente do cachaço do toiro. O cavaleiro deve dar prioridade de arrancada ao toiro. As sortes básicas do toureio a cavalo são a "de caras", "à tira", "a sesgo", "à meia-volta". A de caras é a mais difícil e importante.

    Para terminar a lide alguns cavaleiros colocam uma ou mais bandarilhas de palmo, encerrando a sua actuação.

    Música - durante a lide do cavaleiro, se esta estiver a ser artística e conseguida, o Director de Corrida mostra um lenço branco, dando sinal à banda para que esta toque. A concessão de música durante a lide é considerada um prémio ao desempenho do artista.

    Pega - depois de terminada a actuação do cavaleiro, o cornetim dá o toque para que os Forcados saltem à arena para executarem a pega. Este grupo de oito homens, alinham-se em frente ao toiro. O forcado da cara (o primeiro da fila) cita o toiro. Quando o toiro investe contra ele o forcado agarra-se ao pescoço, ou aos cornos do toiros, sendo de seguida ajudado pelos restantes forcados em praça. A pega está consumado somente quando o forcado da cara conseguir manter-se na cara do toiro e o animal estiver imobilizado. O tipo de pega usado mais frequentemente é a "pega de caras", seguido pela "pega de cernelha".

    Recolha do toiro - depois de concretizada a pega, o cornetim dá o toque para que entrem os campinos com os cabrestos (bois mansos) para recolherem o toiro para os curros.

    Premiação - recolhido o toiro, o Director de Corrida toma a decisão de premiar ou não o cavaleiro e forcado com a volta à arena. para autorizar a volta do cavaleiro deve mostrar um lenço branco. Para permitir a volta do forcado mostra um lenço castanho. No caso de o toiro ter um comportamento excepcional, o Diretor de Corrida pode ainda mostrar um lenço azul, dando permissão ao ganadeiro para dar volta à arena.

    Estes passos repetem-se na lide de cada um dos seis toiros da corrida, excluindo as cortesias que só se realizam no início da corrida.