Tradição, Arte & Cultura

TRADIÇÃO

As origens da relação do Homem com o toiro perdem-se na poeira da História. São prova disso várias manifestações de arte rupestres do Paleolítico Superior, como por exemplo as existentes em Portugal - Foz Côa (18.000-15.000 A.C.) e em França - Lascaux (15.000-13.000 A.C.), que expressam a relação de admiração e veneração do Homem pelo toiro.
O toiro (mais concretamente o seu antepassado Auroque) sempre foi visto como um animal místico, alvo de cultos religiosos, símbolo de fertilidade e da virilidade. Deste modo, o enfrentamento do toiro pelo Homem era uma forma deste se apoderar dessas qualidades. Este enfrentamento manifestou-se nas mais diversas sociedades mediterrâneas e do Médio Oriente, como podemos ver na Epopeia de Gilgamesh – Mesopotâmia, II milénio a.C. - nos frescos do palácio de Knossos - em Creta (Grécia), civilização Minóica - nos mitos da antiguidade grega como o do Minotauro e do Rapto de Europa, que deu nome ao continente Europeu. Esta influência mantém-se, até aos dias de hoje, na arte e cultura da civilização ocidental.
A tauromaquia resulta dessas influências. Com origem na caça e na preparação do Homem e dos cavalos para a guerra, as corridas de toiros celebravam-se para marcar momentos importantes da sociedade portuguesa, como a celebração de casamentos e coroações reais, nascimento de príncipes, preparações para batalhas, cerimónias religiosas, acções de solidariedade, homenagens a chefes e dignitários de Estados de visita a Portugal, entre outros.

A TAUROMAQUIA É UMA ARTE!!!

Tauromaquia ou, numa das suas principais expressões, tourada ou corrida de toiros, é um espetáculo tradicional que consiste na arte de lidar toirosbravos, tanto a pé quanto a cavalo.[1] Os primeiros registos desta cultura remontam ao século XII, sendo que a sua expressão mais forte sempre decorreu na Península Ibérica (Portugal e Espanha) embora seja também muito comum no Sul da França e em diversos países da América Latina, como o MéxicoColômbiaPeruVenezuelaEquador e Costa Rica, assim como na ChinaFilipinas e Estados Unidos.

Em sentido amplo, a tauromaquia também inclui todo o desenvolvimento prévio do espetáculo, desde a criação do toiro, a confecção dos trajes dos participantes, além do desenho e publicação do cartel taurino e outras manifestações artísticas ou de caráter publicitário, que variam de acordo com os países e regiões onde a tauromaquia integra a cultura nacional ou regional.

 

Porque é que as touradas são cultura?

A UNESCO, na declaração de 1982, na cidade do México, apresentou a sua definição de cultura:

"No seu sentido mais amplo, a cultura pode ser considerada como o conjunto de marcas distintivas, espirituais e materiais, intelectuais e afectivas, que caracterizam uma sociedade ou um grupo social. Neste sentido, a cultura compreende além das artes e letras, modos de vida, direitos fundamentais do ser humano, os sistemas de valores, tradições e as crenças.

As Touradas encaixam na perfeição nesta definição da UNESCO. As Touradas são uma marca distintiva da cultura portuguesa, com as mais diversas marcas intelectuais e afectivas na sociedade portuguesa, especialmente fortes em diversas regiões e grupos sociais, sendo uma arte performativa, que encerra em si um sistema de valores, tradições e crenças que promovem a excelência humana e o humanismo.

Além disso existe uma dimensão legal que atesta a índole cultural das touradas.

No preâmbulo Decreto-Lei n.o 89/2014 de 11 de Junho (que é muito recente) o estado afirma, de forma expressa, que "a tauromaquia é, nas suas diversas manifestações, parte integrante do património da cultura popular portuguesa. Entre as várias expressões, práticas sociais, eventos festivos e rituais que compõem a tauromaquia, a importância dos espectáculos em praças de toiros está traduzida no número significativo de espectadores que assistem a este tipo de espectáculos".

O Decreto-lei n.o 23/2014, que estabelece o regime jurídico dos espectáculos de natureza artística afirma, no ponto 2), do artigo 2º que a Tauromaquia é uma actividade artística.

Em 2010 foi criada a Secção de Tauromaquia, uma secção especializada dentro do Conselho Nacional de Cultura, competindo à Secção de Tauromaquia apoiar o membro do Governo responsável pela área da cultura no desenvolvimento das linhas de política cultural para o sector da tauromaquia.

O quadro legislativo português não deixa qualquer margem para dúvidas de que as touradas, de facto e juridicamente, são parte integrante do património cultural português.

 

Ernest Hemingway
(n.1899 – m.1961)

"A tourada é a única arte em que o artista está em perigo constante, e na qual a beleza do espectáculo depende da honra do toureiro"

 

Frederico García Lorca
(n.1898 – m.1936)

"As touradas são a festa mais culta que existe no mundo."

 

António Lobo Antunes
(n.1942)

"Os toureiros são como poetas."